sexta-feira, 12 de março de 2010

Pedaço

Do laço do meu abraço
Um amasso
Não me diga que tem embaraço
De qualquer forma te venço pelo cansaço
Te trespasso
Até pelo avesso
Te devasso
Isso eu faço
Só não invada o meu espaço
Que logo me refaço
Aperto o passo
Em descompasso
Volto pro meu pedaço
Até o próximo amasso

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Praticando o desapego.

Você era sol e eu queria luz. Era chuva e eu precisava de água. Éramos começo, novidade. O primeiro doce do pacote, a primeira mordida de uma boca com fome. E eu era faminta. Saboreava a vida como um tempero exótico. Eu era a cega que voltava a ver, e você era a primeira tonalidade. Enfim, éramos um doce. Um doce problema. Porque o problema de toda novidade é que o novo tem validade.
Curta. Não importa o quanto o sentimento seja legítimo: se é novo, uma hora fica velho. Com o tempo, cria artrites, os ossos enfraquecem, e como nas pessoas, o coração falha. Às vezes entope, às vezes corre. Mas tem vezes que pára. Hoje eu quis entender porque é que o meu desacelerou. Se era antes capaz de parar o tempo, decretar a paz e jurar estabilidade, hoje negou a si mesmo. Não porque era superficial, nem porque não aguentou o tranco. Sinceramente, eu nem sei bem o por quê. Só sei que hoje eu quis um pouco mais de mim e um pouco menos de você.
Não sei se chamo isso de fracasso, vulnerabilidade ou se é só uma lição pra me fazer te dar valor quando tudo não parecer mais tão seguro. Sou vulnerável às mudanças do tempo e não tenho imunidade contra o desinteresse. Ninguém tem. Ninguém que teve um brinquedo, uma música favorita ou um sentimento extraordinário saberia eternizar o impulso do início. A insatisfação, muitas vezes, é o que faz as coisas andarem. E desta vez, ela me faz andar para um lado contrário ao teu.
Por mais que a contraditória aqui seja eu. Ou que as palavras tão firmes de antes hoje pareçam poeira. Se até a dona natureza, que é sábia, tem mudanças de estações, eu – que sei tão pouco de tudo – acho que também posso ter. E posso criar meu próprio ‘tsunami’ se bem entender. Correndo o risco sim, de parecer volúvel. Mas nunca me entregando à mediocridade que é viver com um coração resignado. Ou de oferecer amor em um tom apagado. Se é vida o que você me propõe, considere a missão cumprida. Quanto mais inexplicável tudo parece, mais eu me sinto viva.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ah, o verão.


Tudo bem que São Paulo fica muito melhor no frio, mas vamos combinar que não há nada melhor que as caipirinhas sem culpa as onze da manhã, os mergulhos em águas mornas e a overdose de havaianas. Isso sem falar nos sabores de sucos super extravagantes do Balada Mix ou do milk shake de açai do sempre presente, Big Polis.
São Paulo é bacana para ver Fernanda Montenegro no palco em uma tarde friorenta de domingo ou então tomar aquele chocolate quente especial da Bella Paulista numa madrugada de sábado. Agora o verão, ah, o verão só nas areias escaldantes do meu lindo Rio de Janeiro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A falta que a falta faz.


Todos os dias acordo sem respostas. Um dia me disseram que eu encontraria a minha outra metade. Nunca vieram me dizer que eu podia ser inteira. Acordo, tomo meu café, olho pra janela e pergunto 'quem vou ser hoje?'. Tomo a terrível consciência de que serei eu mesma. Desço para passear com os cachorros. Alguns passam e sorriem. Os cachorros são umas graças. Andam livres sem coleiras. Isto é fora do comum. Outros pegam seus cães com tanta força, com tanto medo que parece que vão pegar alguma doença. São os normais. Eles se defendem. Outros são indiferentes. Outros arrogantes. Uns tem tanta pressa que mal olham o que os seus querem.
Volto, entro em casa, volto pra minha cadeira de rodas. Estou paralítica. Meu coração é quem manda nas minhas pernas e minhas pernas não conseguem mais se mover. Estou tão apaixonada que não sou mais eu mesma. Não sei pra onde fui, não consigo me achar.
Chega a noite não consigo dormir. Alguém me ajuda! alguém me faça dormir! Algum remédio pra que eu possa ser eu mesma apenas oito horas por noite e conseguirei dormir. Descansar meu próprio corpo e fazer com que o tempo passe mais rápido, só assim posso ver de novo o meu amor.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Eu.

Eu. Pronome pessoal indefinido em busca de uma classe gramatical, mas sem gramática.

Hey!